EVO

15'26'', Short Film, HD - 16:9, Stereo, Color, Portuguese [English Subtitle], Brazil, 2015.

Renata Ferraz and Rubiane Maia [Directors/Scriptwriters/Actress/Producers]. Angela Alegria [Director of Photography and Camera]. Tete Rocha [Production]. Joana Quiroga [Production Assistant]. Júlio Tigre [Actor].  Filipe Ayres [Sound Design]. Caio Correa [Assistant Photography and Sound]. João Rodrigues [Color Correction].

EVO is a film that was born from the encounter between Renata Ferraz and Rubiane Maia, and from the ideas that they shared, two days after having met each other in Lisbon. At the time, Renata, PhD in Cinema and interested in creating her work based on the artistic practice of other artists; Rubiane, visual artist that has researched through performance and self clinic, certain states of balance-imbalance that go through the body, mind, emotions and memory. The script was inspired by one of Rubiane’s dreams, and by the though that the incidence of certain memories were capable of permeating the body and the imaginary, making a sort of phantasmagoric paste of the experienced in loop. Maybe to be seen as the burden of that which we don’t manage, don’t want or even cannot to forget. 

EVO é um filme que surgiu do encontro entre Renata Ferraz e Rubiane Maia, e das ideias que partilharam dois dias depois de se conhecerem na cidade de Lisboa. Na época, Renata, doutoranda em cinema e interessada em criar suas obras a partir da prática artística de outros criadores; Rubiane, artista visual que tem pesquisado através da performance e da clínica de si, certos estados de equilíbrio-desequilíbrio que atravessam corpo, mente, emoções e memória.  O roteiro foi inspirado em um sonho de Rubiane, e na percepção de que a incidência de certas memórias eram capazes de impregnar o corpo e o imaginário, formando uma espécie de massa sombria e fantasmagórica do vivido em constante repetição. Quiçá, o fardo daquilo que não conseguimos, não desejamos, ou não podemos esquecer.

SINOPSIS

The rain is pouring. A woman looks for shelter in an old pension, the only house within miles. There is only one vacancy in a shared bedroom. It seems to be enough for her, who intends to continue her journey as soon as the rain stops. However, the waiting might take longer than the storm.

SINOPSE

Chove torrencialmente. Uma mulher procura abrigo em uma antiga pensão, a única casa em um raio de quilômetros. Existe apenas uma vaga em um quarto compartilhado. Parece ser suficiente para ela, que pretende seguir viagem tão logo a chuva cesse. No entanto, a espera pode ser mais longa que a duração de uma tempestade.

MAKING OF by Joana Quiroga

FILM FESTIVAL

2020 – Filmes Capixabas, TVE.
2016 – The World Festival of Emerging Cinema. Trinidade e Tobago.
2016 – Vilnius LGBT Festival "Kreives". Vilnius, Lituânia.
2016 – XI Mostra Produção Independente/ABD Capixaba, Vitória, ES, Brazil.
2015 – 22˚ Festival de Cinema de Vitória, ES, Brazil.
2015 – 26º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo (KINOFORUM). São Paulo, SP, Brazil. [première]

REVIEWS

I.

Estranha e onírica ficção sobre o encontro de duas mulheres. 
Borges, antes da cegueira, talvez assinasse esse filme.
30.08.2015
Carlos Alberto Mattos é jornalista, crítico e pesquisador de cinema, autor de biografias, editor amador.


II.
A empreitada de tematização do tempo não é assunto que cheire à tinta. Quem dele se abeira sabe que não se trata de talhar a roda. Fosse o caso, teríamos tão somente um filme cujo tiro estaria fadado à culatra. Eis o primeiro ponto alto do filme: ainda que se apresenta como experimental, o filme está longe de ser pretensioso, empolado, recusando, dessa feita, a fácil associação entre hermetismo e sofisticação da narrativa fílmica. Mas isso não significa que o filme não entre em rota de colização com a pasmaceira de certos hábitos de pensamento que todo espectador tende a carregar consigo de maneira aproblemática. Penso, por exemplo, no desnível entre a eternidade e a redução espacial. Quer dizer, quanto mais a personagem se aproxima da eternidade, mais o espectador se vê atirado para espaços de clausura. Dos arredores da pensão, passamos à recepção da pensão, até chegarmos ao quarto da pensão, a pequena ilha onde se assentará a eternidade. Mas há mais, e melhor. À moda de Pedro Nava e seu baú de ossos, o filme insiste em descrever a eternidade como o resultado da extrapolação dos limites de objetos ínfimos. Daí, o diário. Daí, a sombra. Assim, o filme nos mostra, não sem enorme sutileza, como a eternidade não é cumulativa, não é a soma de momentos pontuais e avulsos, é algo que se constrói a partir do irrisório, do módico, como se a eternidade nada tivesse a ver com o empilhamento de lembranças, mas, sobretudo, com a construção de um cais, seja ele feito de ossos ou de sombras.
07.07.2015
Fábio Zanoni é doutor em História da Educação pela Universidade de Lisboa e roteirista.


III.
Escrito na pedra: "S. Pedro do Estoril 0,5.” Olho para o muro e para a grade que travam a passagem e pergunto-me qual é o território perdido. Sei de cor que para lá da barreira está a linha férrea e depois o mar. Lembro-me de ir com os meus irmãos ou com os meus pais a pé, por ali, até à praia. Outras vezes, o meu avô trazia-me até ao "trrim-trrim", só para ver o comboio. A campainha começava a tocar, as cancelas baixavam, os carros paravam e formavam uma fila. De repente, surgia um comboio veloz. Era uma aparição que extinguia-se em segundos. As cancelas voltavam ao seu lugar, a campainha calava-se e os carros seguiam o seu caminho em direcção à marginal. Não me lembro da marca de pedra. Mas aquele ponto parece estar ali desde muito antes das minhas memórias. Hoje, há uma estrada que segue para São Pedro pelo lado de terra. Há comboios de Lisboa a Cascais. Mas o cruzamento entre estrada e caminho-de-ferro desapareceu, e o marco de pedra que nos informa uma distância deixou de se cumprir. Um recém-chegado poderá ser seduzido pelo absurdo de ver uma tabuleta separada da sua rota. Para mim, a textura do tempo na pedra é evocativa... Antes dos oito anos mudei de casa. Saí da Parede e também eu fui separado desta estrada que me levava à praia e aos cheiros da falésia. Passado tanto tempo, em vez de campainhas e cancelas, encontro um muro a adiar o mar. Descubro que não há lugar para os territórios futuros que as recordações prometem. E a 500 metros de sítio nenhum, leio na pedra o simbolismo da descontinuidade.
11.06.2015
Nicolau Ferreira é formado em biologia, jornalista de ciência do Diário Português Público.


IV.
Pienso la memoria como un movimiento del ahora y en el que inevitablemente lo ancestral viene de la mano y el futuro entra en juego. Pienso últimamente la memoria como conocimiento tanto ancestral como futuro, y en esa tensión está el presente. Después de ver el filme pienso en el movimiento de nao esquecer, que no tiene que ver con acumulación ni apego, sino más bien con consideración, paciencia y escucha. Hace tiempo que me pregunto la memoria desde la limpieza del cuerpomundo. El nao esquecer confío que trae consigo una limpieza más profunda y la creación de un aire más respirable para el futuro. 

El nao esquecer es más sobre el desplazamiento (deslocação) de las memorias, permitir que se muevan, crear espacio para que entren y salgan, se cambien de lugar, se queden un tiempo, aparezcan un segundo, se queden años, pasen a otra generación, que duelan, nos alegren, nos emocionen, nos hagan llorar... y en ese permitir siempre aparece la sorpresa. Y ahí te sorprendes con una memoria que ni es tuya, que no sabes de donde viene, que forma parte de lo ancestral, de nuestra historia. Y te sorprendes con algo que ni sabías que estaba ahí y que de repente cambia de morada. Te sorprendes con algo que duele recordar. Y en ese nao esquecer también puedes sorprenderte con que has esquecido, sea lo que sea eso de esquecer. 

Las memorias toman muchas y diversas formas en el cuerpo y por tanto en el mundo, toman formas en el mundo y por tanto en el cuerpo. Afectamos y somos afectados. Siento que es sobre acoger y sobre crear espacio para que se muevan. y sobre todo sobre observar y esperar. Cómo danzar junto a ellas es un arte, cómo dejarlas danzar es una práctica que no tiene fin. 

Hay algo interesante en relación a la memoria que es sobre no identificarnos demasiado con ellas, no apegarnos a ellas, pero al mismo tiempo considerarlas y acogerlas como vamos pudiendo. Hay una tensión-espacio entre estas dos cosas que me interesa. Esto me escribía una amiga el otro día y aunque no hable de la memoria me resuena "a gente não sabe o que nos acontece, e a vida segue cheia de surpresas. Aprender acolher o que nos acontece é um modo de nos respeitar, de respeitar a vida. "tudo é a favor", disse um amigo outro dia e eu estou com ele! A arte do acolhimento é também não se identificar inteiramente com nada, nem fim aquilo que nos acontece, nem com nenhum sentimento, nem com ninguém. sinto que há sempre em nós qualquer coisa que excede, que nos acompanha desde sempre e que nos faz persistir, e que talvez seja um sopro de vida. observar, observar, era o que fazíamos no vipassana. continuo a buscar aprender isso."

A veces también pienso que no tiene que ver solo con mis memorias, que la pregunta no está ahí, sino en una memoria mucho más ampliada, mucho más común. Las memorias no me pertenecen a mi ni a nadie. No es sobre pertenecer. Por lo tanto tal vez la práctica esté en la elasticidad, hacerla elástica, ampliarla, que respire. Por lo tanto la pregunta está más bien en esa tensión-vibración entre la memoria individual (sea lo que sea eso) y la colectiva, la común. la tensión cuerpo-mundo.  si muevo mis memorias se mueven las del mundo, si se genera movimiento en el mundo se genera en mi cuerpo. 

Todas bailando!

También me ha hecho pensar en cómo la memoria también va creando identidades en el ahora y me pregunto que si con esa elasticidad de la que os hablo y el dejar que se mexam tal vez nuestras identidades también se van haciendo más flexibles y honestas y conseguimos habitar muchos más cuerpos y saberes. En el fondo somos millones de cuerpos, cada cuerpo podría ser una cartografía del mundo y de la historia. 

No he estudiado mucho sobre memoria, la verdad. Se me escapa de mis capacidades de entender, pero tal vez tiene que ver sobre eso, sobre lo desconocido, sobre no entender. Estos son pensamientos que fueron surgiendo de ver el filme, preguntas que van al aire, ecos de vuestro hermoso trabajo.
08.06.2015
Adriana Reyes é formada em Antropologia Social e Cultural pela Universidad Autonoma de Madrid. Trabalha com educação e estudos do corpo.

SUPPORT

Secretaria de Cultura do Estado do Espírito Santo – SECULT/ES [Funcultura].

Edital 029/2014 – PRODUÇÃO DE OBRA CINEMATOGRÁFICA DE CURTA-METRAGEM DE FICÇÃO.

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