PREPARAÇÃO PARA EXERCÍCIO AÉREO, O DESERTO

PREPARATION FOR AERIAL EXERCISES, THE DESERT

Performance [12 days] - Video I, II and III  [HD 16:9 - 10' 01'' - Stereo - Color].  Uyuni Desert, Bolivia.

Work made in collaboration with Luísa/Tom Nóbrega [BR].

PREPARATION FOR AERIAL EXERCISES is a project in which I investigate through performance and video the relations between the body, mobility and lightness through research inspired by the human desire to fly, be it real or metaphorical. Considering the statement of Friedrich Nietzsche 'You who would learn to fly one day must first learn to stand, walk, run, climb and dance; no one can fly only learning flight’, the initial proposal was to travel to height places in nature and develop site specific actions in each of those environments.

A trilogia de vídeos 'Preparação para Exercício Aéreo, o Deserto' produzido por Rubiane Maia e Tom/Luísa Nóbrega foi o resultado de uma residência artística de 29 dias realizada na Bolívia. Um país com relevo variado entre a cordilheira dos Andes, o Deserto do Atacama e a Floresta tropical na bacia do Rio Amazonas. Uma viagem realizada por terra com passagem em diferentes cidades, desde: São Paulo, Campo Grande, Corumbá, Puerto Quijarro, Santa Cruz de la Sierra, Cochabamba, Uyuni (Salar, e Deserto do Atacama), La Paz, Copacabana, Isla del Sol, Copacabana, novamente La Paz, São Paulo, e por fim, Vitória. 

 

Na cidade de Uyuni está localizado o maior deserto de Sal do mundo, o que o torna o ponto mais brilhante da Terra. Sua altitude chega a 3.656 metros acima do nível do mar, o que corresponde a uma elevação superior a quaisquer um dos pontos mais altos do Brasil. Característica determinante para a composição deste projeto, que inicialmente se fundamentou no desejo-expectativa de acionar, experimentar e viver as problemáticas e potencialidades do corpo numa altitude bastante diferente da habitual. Portanto, a atmosfera desconhecida, a horizontalidade extrema, a presença de um céu vasto e azul, o sol ardente e o vento fortíssimo, a perda de referências urbanas, as línguas indígenas, e as decisões não premeditadas e intuitivas foram elementos essenciais para a criação deste trabalho. Neste contexto, ao jogar-brincar com a dialética entre a possibilidade e a impossibilidade de uma concretização do desejo de voar, nos deparamos com algumas questões extremamente desafiadoras: o deslocamento e a mobilidade por uma região remota, que é acessível somente com a presença de um guia local; a tensão entre o peso do corpo, o calor extremo em contraste com as ações baseadas no conceito de leveza dos movimentos e do objeto; o cuidado permanentes para driblar o ‘mal de altitude’ e a possibilidade de desidratação; e o uso super limitado e precário dos aparato técnicos para produção de vídeo num ambiente natural e outdoor.

 

Tendo a performance como ponto de partida para a criação de imagens, o processo foi desenvolvido em três etapas: a primeira no Salar, sobre a imensa extensão branca de sal; a segunda no Atacama, mais próximo à fronteira com o Chile, usando as formações montanhosas e vulcânicas; e a terceira, nas engrenagens enferrujadas dos numerosos vagões de trem depositados na periferia da cidade de Uyuni (um lugar que é apelidado pela população local de ‘Cemitério de Trens’). Inicialmente diversos materiais foram testados na criação e execução dos exercícios, até que os tubos de encanamento branco foram adotados como o material central para o desenvolvimento do trabalho. O que contribuiu para uma tentativa ineficiente de esgotar as possibilidades de como se relacionar com este objeto. À vista disso, destacam-se o uso dos tubos como uma extensão-prótese da estrutura física dos corpos, na qual, os artistas se transformam num eixo propulsor de energia dinâmica e eólica – imagem que ora interfere, e ora outra, apenas se dissolve na paisagem. Gestos concisos, repetitivos e simbólicos na direção do impossível, ou mesmo, do que consideramos impraticável.

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© 2020 Rubiane Maia