JARDÍN SECRETO (PORQUE DESEO CREER)

SECRET GARDEN (BECAUSE I WISH TO BELIEVE)
Performance [33 days]. Cal Gras - Alberg de Cultura i Residència d'Artistes, Avinyó - Barcelona. Spain, 2012.

Photograph by Quin Moya.

Há de se ter um jardim por perto.

Durante trinta e três dias, acordo, me levanto, e cultivo feijões. Muitos grãos, colocados lado a lado: uma quantidade menor colocada em dois pratos brancos, e todos os outros grãos em grandes caixas de madeira e papelão (ambos forrados com algodão). Acompanho o crescimento de todos, dia a dia. Os pratos-vasos ficam quase sempre sobrepostos em uma pequena mesa branca, já as caixas espalhadas no chão ou sobre uma bancada. Busco para todos eles, pelo menos numa parte do dia, os “quadradinhos de sol” que entram pela janela – por isso, deslocam-se pelo studio. Minha ação principal se torna regá-los com um pequeno conta-gotas: semente por semente; gota a gota. E também, sentar, observar e fotografar por horas a fio; assim, encontro as minúcias, as formas, as transformações contínuas. 

... o brotar ... o nascer ... o crescer... o viver ...

No trigésimo terceiro dia, acordo mais cedo, e me preparo para iniciar a montagem do jardim. Deslocamo-nos todos. Então, forro o chão de uma sala com algodão branco. Muito algodão, para que esteja bem macio. Desfaço as caixas com as plantas crescidas, ou brotando, ou mesmo os grãos (diversos estágios de cultivo), e as re-planto sobre o piso algodoado. Coloco também, a mesma mesa branca que utilizo todos os dias, e sobre ela: os pratos, a taça com água e o conta-gotas que estiveram presentes ao longo do processo. Devagar, caminhando descalço, águo as plantas com o conta-gotas. E somente isso: fico a cuidar do jardim, até que ele esteja montado e em perfeita harmonia. Depois do trabalho “pronto”, me deito silenciosamente sobre o chão úmido para descansar e continuar a crescer junto com eles.
Na entrada da sala deixo o convite: entre descalço.

There might be a garden nearby.

For thirty-three days, I wake up, and cultivate beans. Many grains put side by side: A smaller amount over two white dishes, and all the other grains in big wood or paper boxes (both covered in cotton). I follow their growth daily. The vase-dishes are almost always over laid on a small white table, while the boxes are spread on the floor or over a board. I chase after the little “sunny squares” that come in, to position the vase-dishes there, at least once a day. For that reason they change places throughout the studio. My main duty becomes to water them with a little eyedropper: seed by seed,drop-by-drop. And also to sit down, photograph and observe for hours long; in that way, I find out the details, the shapes, and the continuous transformations.

... the sprout ... the birth ... the growth ... the life ...

On the thirty-third day, I wake up earlier, and I prepare myself to start the garden’s preparations. We all move. Then, I cover a room’s floor with white cotton, enough cotton to create a fluffy and soft space. I take the boxes with the grown or sprouting plants, and perhaps even those with grains (showing up the different growing stages). Then I replant them over the fluffy ground. I also put up the same white table I use every day, and on it: the dishes, the cup of water and the eyedropper. The same gadgets I use everyday throughout the process. Slowly, walking barefoot, I water the plants with the eyedropper. And that’s it: I keep caring for the garden, up to the moment when it is settled in perfect harmony. After the work is “done”, I silently lay down on the humid floor to rest and keep growing with them.
At the room’s entrance I leave an invitation: enter barefoot.

...
correr con los ojos cerrados, en la lluvia fría 
hasta caer. colidir en un poste. o ser interrumpida 
Permitir extrañar la ausencia de algo que no sabes 
- solamente para intentar descubrir. 
Sumergir […] 
Mirar su cara en el espejo: 
siempre por la mañana 
(Después de noches de insomnio: observar el doble de tiempo). 
encogerse (o hacer una pausa).
encontrar algo olvidado en el suelo. 
(puede ser en una caja fuerte, 
pero sólo si tienes una llave muy pequeña). 
En el medio de un día gris y melancólico: 
ganar frijoles 
como regalo de una amiga muy querida. 
Desear. Sentir hambre. Dormir. 
Despertar dispuesta a germinar las semillas 
(en su habitación). 
Regar con un ‘cuentagotas’ 

hoje, amanhã e depois 

Observar durante horas y horas (todos los días!) 
y cuándo no quepan más juntos contigo, compartir: 
cubrir el piso de una sala vacía con algodón 
y difundir todos los brotes. 
invitar a alguien - entrar. 
Ayúdale a caminar suavemente: 
paso a paso . gota a gota 
entonces dejarlo aguando.
Salir. (sin mirar para atrás)
Sonreír
... 

p.s. cada semilla tiene su tiempo y algunas no germinan. por lo tanto, necesita la luz, la humedad, el silencio y la paciencia. y, sí, las personas acostumbran a sonreír al caminar descalzas sobre el algodón.
 

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© 2020 Rubiane Maia